sexta-feira, 3 de julho de 2009

"Em algum ponto perdido deste universo, cujo clarão se estende a inúmeros sistemas solares, houve, uma vez, um lastro sobre o qual animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o instante da maior mentira e da suprema arrogância da história universal."
Nietzsche citado por Foucault em A verdade e as formas jurídicas.

Toda a genialidade de Nietzsche é suficiente para descrever isso a que nossa sociedade dá tanta importância, traduzindo-o como expressão fiel da verdade suprema: o mestre conhecimento.

Aqui, volto-me ao conhecimento científico, às glórias e pompas que lhe são atribuídas. Salve, salve! Ó cultos e inteligentíssimos intelectuais, acadêmicos, pesquisadores, benditos sois vós entre todos aqueles animais inteligentes que presenciaram o clarão no ponto perdido do universo!

A idolatria ao conhecimento, de maneira especial o científico, sobrevivente ainda hoje, demonstra que ainda vivemos o tal momento da mentira e suprema arrogância, numa perpetuação do clarão que se deu lá pelos idos dos tempos perdidos.

Não se trata, aqui, de empreender campanha à ignorância, no mais fiel sentido dessa palavra. Não se trata de uma perseguição inquisitória aos seres pensantes. Não! Trata-se de uma apelo à resignificação das rosas lançadas a cada fresta do clarão. Trata-se de uma campanha em prol da valorização do conhecimento popular, do saber do dia-a-dia do Seu Adamastor que, já aposentado, joga dominó todas as tardes em frente à padaria no final da minha rua e que, mesmo longe das supostas frestas e suas rosas, tem uma enorme sabedoria sobre a vida.

Pois bem, isso aqui não é uma negatória ao conhecimento, mas um aviso a esse nosso sistema solar: cuidado com o clarão desmedido meus caros! Por vezes, ele ofusca a vista e causa danos quase irreversíveis. Digo quse, porque enquanto viventes pensantes - pensantes porque viventes assim como o meu querido Seu Adamastor - sempre podemos colocar um bom óculos e encarar o clarão desse sistema solar dos nossos dias. Daí sim, lançaremos rosas. Rosas, ao sepultamento da idolatria ao conhecimento científico.

5 comentários:

  1. Uhummmm!!! Belo retorno! Volte mais vezes... rsrs É sempre um prazer te ter por aqui!!!

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  2. Viva o conhecimento sim!!! mas olha que legal :
    " Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa."
    Beijooo...eu a original

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  3. Carlinha, o prazer é todo meu, pode crer!

    Nanda, "googando" sua citação encontrei o maravilhoso Rubem Alves: "O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: “Cheguei, finalmente, ao lar“. Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa." (http://www.rubemalves.com.br/sobresimplicidadeesabedoria.htm) Simplesmente magnífico!

    Helcinho, vc ainda não apareceu por aki! (Sim, Rubem Alvez = "menino envelhecido" = Helcinho - ou seria "velho ameninado"? xiii Helcinho.. me salve aí vá!)

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  4. Ahhh! Faltou-me mais esse pedcinho aqui do Rubem:
    " Porque a alegria só mora nas coisas simples. "

    lembrei-me das havaianas e de meu casamento...

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  5. Uahuahauhua! Nosso querido Rubem Alves é "O velho que acordou menino". ô livrinho bom... Mais duas coisas: 1) Já que vc citou Nietzsche, saiba que ele é um dos pensadores preferidos de Rubem Alves. 2) Amei o texto!

    Viva as havaianas!

    Hélcio

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