quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

 Sobre Religião e Deus


Não quero que sigam minhas palavras como verdade única. Não sou verdade nem a mim mesma. Não sou verdade para ninguém. Escrevo apenas alguns rabiscos com objetivos introspectivos, de modo que possamos nos sentir melhor.

Recentemente estive lendo um artigo do Felipe Aquino intitulado “Católico pode casar com protestante?” [1]·. A menos que tenha sido traída por minhas capacidades de análise textual, quis o Felipe trazer uma resposta negativa afirmando. Em outras palavras, foi como se ele dissesse: “Olha só, poder não pode. Quer casar case, só não diga depois que não avisei que Deus não abençoaria vocês...”.

Sinceramente, entristece-me o modo como valores humanos têm, constantemente, sido suplantados a valores divinos. Temos vivido épocas de divinificar Religiões e religionarmos Deus. Certa vez ouvi de um padre numa homilia que nossa fé é realmente traduzida na mais forte fé quando encontramos Deus longe de qualquer Templo. As palavras daquele padre traduziram muito do que em mim estava há muito tempo: Deus não é religião e religião não é Deus, ainda que por vezes um seja levado à outra e vice-versa.

Temos que amar a Deus sobre todas as coisas, dentre elas a religião a que seguimos. O templo deve ser um lugar de paz que nos leve a Deus e não fazer o papel de Deus. Na medida em que reconhecemos o instrumento religioso enquanto inferior a Cristo (Deus e Espírito Santo, Santíssima Trindade de acordo com minha formação católica) temos abertura suficiente para questionarmos os dogmas criados pelos próprios homens, mas com pretensões divinas.

O que é o amor, por exemplo? O que é o casamento? Qual a visão que temos da benção divina que nos é dada quando resolvemos unir nossa vida com a de um outro alguém a quem amamos? Quem deve nos dar essa visão?

Quando pautamos nossa vida cristã por cânones, estamos pautando nossa vida cristã por ditames humanos. Este não é um discurso anarco-religioso. Este é um discurso que se pretende consciente.

Pode ou não, afinal, um católico casar-se com um protestante? Eu diria a meu irmão Felipe: podem e devem se o que os une é o amor que nutrem um pelo outro somado ao amor que têm a Deus. Se ambos acreditam em Cristo é isso que importa. De que adiantaria o irmão protestante entregar-se a um batismo católico, mas continuar a cultivar em si aversão ao Vaticano? Não quero com isso dizer que o matrimônio entre protestante e católico seja válido apenas se um entregar-se a religião do outro sem nenhum tipo de questionamento. Não. Digo que, além do amor que devem nutrir, o respeito basta. Cada um pode continuar com suas convicções religiosas, amando a Deus acima de todas as coisas e se amando conjuntamente.

Deixar-se envolver pelas neblinas dos discursos religiosos é, muitas vezes, correr o risco de distanciar-se do amor a Deus. E Deus, enquanto Deus, deve ser posto sobre todas as coisas, inclusive sobre estas minhas palavras, meus amados. Portanto, amem a Deus, e só a ele, sobre todas as coisas. Não se deixem cegar do amor de Deus.
Em 22/12/08

[1] http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?id=&e=11255

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