terça-feira, 7 de abril de 2009














Escravos do tempo. Essa vida louca (tenho minhas dúvidas se a louca é mesmo ela), constantemente, nos deixa reféns do tempo: sempre, repita-se SEMPRE, devemos tirar melhor proveito do nosso dia, otimizando cada minuto para que possa ser todo ele preenchido por atividades, jamais pelo nada. Olha que, aqui, não estou nem me referindo ao saudável, importante e cada vez mais escasso ócio. Esse aí, de tão relevante, reservarei um momento mais calmo que não o nosso aligeirado textinho.

Pois bem. Otimização. Tenho mesmo minhas dúvidas se essa é a melhor palavra para traduzir a nossa busca pelo corre-corre (im)perfeito. Sim, porque estamos mesmo sendo ótimos com o nosso tempo quando não deixamos que, dele, se perca uma gota? Nem uma gota! Desço as escadas rumo ao estacionamento, mas não vou só. Seria melhor deixar as crianças na escola primeiro, ou antes dar uma passada no pet shop e deixar o Bob? É! Pet Shop! Entro no carro. Pensando bem, se eu deixar as crianças logo, já evito aquela fila imensa de pais a deixarem suas crias na aula. Ok! Escola! Primeira curva. Opa! Mas, se o Bob ficar logo no pet, poderei, ao deixar as crianças, dar um pulinho até o Banco que fica no mesmo bairro. Isso! Pegaria a Agência ainda sem filas. Pet Shop então. Estaciono o carro e me viro até o banco de trás. Droga! Esqueci o Bob!

Viver aproveitando cada gota do nosso tempo, pode nos ser custoso por demais. Em nome de gotas de tempo, acabamos por povoar todas elas com um certo nível de preocupações e pensamentos que vão e vem a todo momento, não deixando nossas mentes livres durante nenhuma das nossas prezáveis gotinhas de tempo. Seguimos contando os minutos, contabilizando cada segundo na busca de um corre-corre imperfeito que, só assim se demonstra quando nos damos por nós cansados, irritados por demais, impacientes com tudo e todos, mergulhados no mais profundo stress!

E vamos seguindo, economizando gotas de um tempo que já não passa porque todo ele pra nós é um contínuo de preocupações e otimizações na nossa vida louca. Aliás, como disse, tenho mesmo minhas dúvidas se louca é mesmo ela, ou somos nós que, no afã de colecionar gotinhas, passamos, vivemos, avançamos cronologicamente pelo mundo sem perceber a danada da vida desfilando em nossa frente. Louca não é ela! Loucos talvez sejamos nós que sequer percebemos quando a danada da vida, num daqueles momentos enquanto colecionávamos as tais gotinhas, passou por nós acenando as mãos num gesto de despedida.